VEJA na Antártica: após atraso, estação é reinaugurada nesta quarta-feira

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Foram dois dias de idas e vindas na Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira na Península Antártica. Originalmente marcada para a terça-feira 14, a reinauguração teve que ser adiada para a quarta-feira 15, porque as condições meteorológicas não permitiram o pouso da aeronave Hércules C-130, da FAB, que transportou as autoridades.

Mesmo na quarta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão, o ministro da Ciência e da Tecnologia, Marcos Pontes, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e os demais convidados, pousaram na base chilena de Presidente Eduardo Frei Montalva somente às 15h. A pista dos vizinhos sul-americanos é a mais próxima para garantir o transporte aéreo. De lá, o transporte é feito de navio para a sede brasileira por lá, em viagem de aproximadamente 3 horas. Uma primeira tentativa de translado da base chilena para a brasileira por helicóptero, com o vice-presidente e uma comitiva, tentou pousar no heliponto por volta das 15h20, sem sucesso. O grupo teve que retornar e embarcar no navio.

Depois de tantos ensaios, a cerimônia foi remarcada para as 20h30 de hoje (15). Na data, a previsão mostrou que a sensação térmica poderá alcançar os -19ºC (sim, negativos). A expectativa é que o protocolo começaria e terminaria em menos de 20 minutos, mas durou cerca de uma hora.

Junto a outros 28 países, o Brasil é um dos membros consultivos do Tratado da Antártica. Para manter o status, o acordo exige que as nações mantenham programas de incentivo à produção científica e estações de pesquisa. Ao se tornar um membro consultivo, em 1983, o Brasil passou a ter direito a voto e veto sobre questões que dizem respeito ao gélido continente. Em 2012, a antiga estação foi destruída por um incêndio, dois oficiais morreram na tragédia. Uma pessoa de cada família participou da cerimônia e recebeu, em homenagem, uma caderneta-registro com o histórico dos oficiais mortos na carreira militar.

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Apesar de reinauguração, ainda há ajustes a serem feitos. A entrega final das instalações está prevista para março, no fim do verão Antártico. Da parte dos laboratórios, falta a chegada e instalação de equipamentos que não podem ser transportados por avião, seja pelo tamanho ou por conterem materiais inflamáveis. Por isso, depende-se muito da logística dos navios.

A reconstrução da base teve início em 2015 pela empresa chinesa Ceiec. Diversos testes estavam sendo realizados até a véspera da inauguração: de aquecimento de água e iluminação, a de alarmes de incêndio (para evitar o trauma que ficou marcado pelo acidente que destruiu a estação como era).

A Marinha opera os dois navios que integram o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) – o Navio Polar Almirante Maximiano e o Ary Rongel –, que servem de apoio aos pesquisadores que trabalham na base, seja com laboratórios, como no caso do Almirante Maximiano, ou para o transporte de suprimentos, principal função do Ary. A Força Aérea Brasileira também integra o Proantar com os voos no Hércules C-130, única aeronave brasileira com capacidade de pousar e decolar na Antártica; além de disponibilizar helicópteros, quando necessário.

Após oito anos, o novo espaço é considerado um exemplo de tecnologia de ponta. De acordo com o botânico Paulo Câmara, da Universidade de Brasília, que passou os últimos três meses na base para instalar novos laboratórios, “a estação está entre as três melhores da Península Antártica. Contudo, só caminhará para frente com o devido incentivo à ciência nas universidades nacionais”.

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Com dezessete laboratórios (catorze internos e três externos), capacidade para abrigar 64 pessoas, em 4 500 metros quadrados, pesquisas com objetivos diversos poderão ser conduzidas na nova base brasileira. No ano passado, por exemplo, um edital distribuiu 18 milhões de reais a dezessete projetos de diferentes áreas. Por exemplo, pela primeira vez, pesquisas de saúde entraram no escopo da ciência antártica brasileira.

Mesmo com a explosão da base, em 2012, a pesquisa científica nunca parou. O navio Almirante Maximiano mantém 40% dos estudos realizados no polo sul, enquanto a base no continente responde por 25% das pesquisas. O restante é dividido entre os cientistas que ficam acampados e o Criosfera 1, módulo brasileiro mais próximo do polo sul geográfico, a 2 500 quilômetros da Comandante Ferraz.

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