Que este ano não seja melhor

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Hey, folks! Começando mais um ano. Como disse no último post do ano, eu amo Natal. Adoro essa energia natalina. É realmente uma época feliz para mim. Amo também o Ano Novo. Aquele momento em que olho para trás e reflito sobre meu ano. Meus erros e acertos. Minhas experiências. Minha marca na areia da história. E uma coisa bacana dessa parada no calendário é que sempre temos um recomeço. Uma nova oportunidade de fazer diferente. Isso gera uma enorme esperança. Até nos motiva por um instante. Depois os dias vão passando e a rotina se encarrega de colocar tudo no seu devido lugar. E é aqui que o mundo nos ensina.

Então, para começar nossa primeira coluna do ano já vou te desejar algo insólito. Que seu ano não seja melhor que o ano passado. Nem pior. Nem igual. Que ele seja. Apenas isso. Vi muita gente e, obviamente, cada um com seus motivos e que certamente são verdadeiros, íntegros e reais, escrevendo em suas redes sociais algo como: Adeus, 2021, que droga de ano, que 2022 seja melhor. Eu sou incapaz de escrever isso. Apenas consigo escrever obrigado a 2021 e seja bem-vindo, 2022. Assim como ao encontrar uma gestante jamais digo a ela para que seu filho venha com saúde. Ou que não chova na sua viagem. Ou que as pessoas sejam legais no seu emprego novo. Esse tipo de desejo, por mais que venha cheio de amor e esperança, geralmente causa sofrimento e, em geral, atrapalha o crescimento.

Vou começar novamente. Que 2022 seja como ele quiser. Venha como vier e que eu saiba fazer de 2022 um ano de muito aprendizado. Para isso, não é ele que tem que ser melhor que 2021, mas eu. Eu tenho que ser melhor em 2022 do que fui em 2021. E esse é o ponto. A sua história. A sua trajetória. Esse é o olhar que escolhi para minha vida. Até porque é a única coisa que posso controlar. Como eu me comporto perante as situações, afinal, sobre o ano ser bom ou ruim? Qual o meu controle? Então, se quer um ano melhor daqui para frente, não deseje. Seja. Aja. Interprete. Sinta. Perdoe.

Tudo tem a ver com a sua relação com o mundo. Se você for inflexível, uma viagem para Paraty ou para os Lençóis Maranhenses pode ser muito ruim. Em 2015, passei o Ano Novo em Atins, um vilarejo charmosíssimo em um delta entre o rio Preguiças, o mar e os Lençóis Maranhenses. Estávamos ali, eu e minha digníssima, encantados. Para onde olhávamos o cenário era indescritível. Uns três dias depois de nossa chegada, fizemos contato com um casal recém-casados, que estava na mesma pousada que nós. No dia seguinte, fomos almoçar em um restaurante de um morador local que fez os melhores camarões e peixes que comi na vida, em uma porção superfarta e com um preço muito barato. Ou seja, nada poderia ser melhor. Comida boa, farta e barata aliada a um cenário paradisíaco, uma boa conversa, minha companheira e cerveja gelada.

Foi quando eu cometi um erro. O de pensar que todo mundo enxerga o mundo belo como ele é. Ao comentar na mesa do almoço que estávamos apaixonados pelo lugar e que é impossível não gostar, o casal que estava conosco disse um: “é… legal”. Sem nenhum entusiasmo. Ao nosso olhar de espanto ela tentou remendar. “Verdade, é realmente lindo mesmo, mas podia ter um pouco menos de areia. Está muito difícil andar de salto alto. Podia ventar menos também. Não tem um cabelo que resista”. E foi descrevendo uma lista de pequenos problemas que minha esposa de chinelo e boné preferiu se adaptar. Ela chegou ao ponto de dizer que eles iam antecipar a volta.

Poucas vezes na minha vida estive tão em descompasso com alguém. Me deu uma tristeza por essa moça. Que olhar triste do mundo. Imagine a vida de quem vê sempre o mundo dessa forma. Mas de novo, preferi aprender e me perguntar onde, na minha vida, estou agindo assim. E vi que muitas coisas no meu trabalho eram vistas assim. E mudei.

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Agora mesmo, enquanto escrevo essa coluna, um aluno meu veio me agradecer a oportunidade de estudar que eu, segundo ele, dei para ele, o que prontamente o corrigi. Nem sei do que você está falando. A oportunidade quem se deu foi você. Nós construímos nossa jornada. E palavras tem força. Se desejamos que o ano seja bom, colocamos a responsabilidade de ser bom no ano. Ou no acaso. Ou na percepção que fazemos das coisas. Elas são o que são. A mesma praia de Atins que marcou aquela moça negativamente jamais sairá da minha cabeça, até porque 9 meses depois nasceu minha filha. Ela nasceu ali. O vento que destruiu a chapinha era o mesmo vento que abençoou as tardes dos praticantes de kite surfing. O vento é só o vento. A lógica deve ser como o surfista que quando não tem onda anda de skate. Aliás, o skate foi criado exatamente por isso. Muitos reclamaram do mar “flat”, outros criaram o skate. Esse é um processo de pensamento e é transferível tanto para cenários assim como para coisas mais sérias. Sem deixar de lado, obviamente, a dor ou até o luto. Mas, entender que tudo aqui é perfeito. Mesmo que não entendamos essa perfeição.

Vamos aplicar esse olhar em diferentes cenários. Lá em cima falei que não desejo a uma gestante que seu filho venha com saúde. Você pode me perguntar que mal tem isso, ele vir com saúde. Nenhum. Mas e se não vier? Essa mãe vai achar que ela foi castigada. Que coisas assim acontecem com ela por algum motivo. Vai se sentir frustrada em seus sonhos. Até diminuída quando ela mesma se compara a outras mães. Muitas coisas podem passar pela cabeça dela e por seus sentimentos. E eu tenho controle sobre a saúde do filho dela? Ela tem? Então que venha como vier, porque eu acredito na perfeição de tudo. E se veio com a saúde debilitada, que assim seja.

Quantas mães não mudaram o mundo e a história da humanidade porque tiveram filhos com alguma questão de saúde ou alguma síndrome? Se eles tivessem nascido com a saúde dita padrão, nada disso teria acontecido. E você pode me garantir que teria sido melhor? Que venha e, como vier, será amado. Vai aprender e nos ensinar. Vai fazer parte da nossa história. Ponto. Quantos pais ao receberem a notícia de que seu filho tem alguma síndrome não se abalaram? Não se entristeceram? Pergunte a esses pais dez anos depois se eles queriam outro filho hoje? Se eles não são melhores porque esse filho é desse jeito? Se eles soubessem disso lá atrás não teriam se entristecidos. E essa era uma escolha que eles tinham. A única coisa dessa informação é que ela não batia com o ideal de filho saudável e feliz que eles tinham criado. Só isso. O que eu desejo para uma mãe grávida? Que ela aceite e ame seu filho. Que venha como vier. Apenas ame.

Outro bom exemplo desse modelo aplicado. Convivência com pessoas difíceis, tipo eu. Você não muda ninguém, exceto você. Em uma convivência difícil, quem você pode mudar? Você. E se você mudar a convivência, deixa de ser difícil e você cresce. Não vai haver mais lugares onde você não se sinta bem, onde não se dê bem com determinada pessoa. Todo lugar vai ser um bom lugar. Todas as pessoas serão boas companhias. Ah, você fala isso porque não conhece meu vizinho, meu pai, meu filho. Mas, onde nesse texto eu falei que seria fácil? É um trabalho de uma vida, e ainda assim estará inacabado. Então por que fazer? Porque trará leveza à sua jornada e o levará mais longe. E principalmente, você vai sair daqui melhor do que entrou. Pronto para a próxima jornada.

No meu trabalho de reabilitação eu convivo com dor. E a primeira coisa que tenho que fazer é ressignificar essa dor. Fazer a pessoa entender que ela não é ruim. Nem boa. Talvez lá na frente seja muito mais boa que ruim. Porém ela é o que é. Uma informação. Um sinal, um aviso. E você não é mais forte ou mais fraco por isso. Não é digno de pena. Você é você. E essa é sua jornada. Ame-a. como uma mãe tem que amar seu filho como ele é. Por isso, na minha primeira coluna do ano, não desejo que o ano seja melhor, mas que nós sejamos melhores para ele. Venha como vier, 2022. Estarei pronto ou vou me aprontar no curso. E você também.

Forte abraço,
Samorai

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