Morte de Nelson Sargento: amigos e famosos lamentam perda do baluarte

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Governador Cláudio Castro afirmou que Sargento era ‘um dos maiores representantes do samba e ícone da nossa cultura popular’. O cantor e compositor de samba Nelson Sargento durante entrevista na sede do Cordão da Bola Preta, no Centro do Rio de Janeiro, em setembro de 2010
Paulo Vitor/Estadão Conteúdo/Arquivo
Companheiros de vida, de samba e de Avenida lamentaram a morte de Nelson Sargento, nesta quinta-feira (27). O baluarte de 96 anos morreu às 10h45, seis dias após ser internado no Instituto Nacional do Câncer (Inca), diagnosticado com Covid.
Veja o que foi dito da perda:
Cláudio Castro, governador do RJ
“Perdemos hoje um dos maiores representantes do samba, presidente de honra da Estação Primeira de Mangueira e ícone da nossa cultura popular. Desejo que Deus o receba com todo seu amor. À família, amigos e fãs, compartilho meu pesar.”
Eduardo Paes, prefeito do Rio
“O samba, o Rio e o Brasil perdem seu Nelson Sargento. Ele nos ensinou que o samba agonizava mas não morria. Queríamos nós que Seu Nelson fosse imortal como o samba que ele tanto amava. Mas ninguém é. Por ironia do destino, ele nos deixa no ano em que não teve carnaval. Seu Nelson é mais um que se vai por conta da doença que estamos lutando para vencer. Seu Nelson amava a vida, o samba, a Mangueira, a nossa cidade. O meu abraço aos familiares e à Mangueira! Viva Nelson Sargento, eterno!”
Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira
“O Nelson guardava no corpo e no gesto toda a tradição de uma linhagem de sambistas que podemos traduzir como o tal ‘do samba em pessoa’. Ele trazia pra gente de modo vivo a presença do Cartola, do Nelson Cavaquinho, da Clementina e de tantos outros bambas imortais. O Nelson era aquele coroa boa-praça. Personificava a presença fraterna de um avô com a energia de uma entidade ancestral que baixava em nosso terreiro. Sua partida é motivo de lamento não só para os mangueirenses, mas para todos os sambistas. Com ele, foram também 96 anos de histórias do samba brasileiro. Sua morte é tal qual um museu centenário cujo o acervo se incendiou. Perdemos todos.
Desde que estou à frente dos projetos artísticos da Mangueira, reverencio o Nelson em vida. Desde 2016 ele desfila em um trono. Nos meus carnavais, o velho Nelson foi entidade, Zumbi e José. No próximo, será uma ausência sentida, mas, de forma alguma, uma lembrança que passará em branco.”
Zeca Pagodinho, cantor e compositor
“Hoje perdemos Nelson Sargento, nosso amigo. Grande sambista. Vá com Deus. Nelson Sargento contribuiu muito para a nosso música. Vá com Deus.”
Tia Surica, da Velha Guarda da Portela
“Tinha um carinho muito grande por ele. Era um grande compositor. É mais uma grande perda para o mundo do samba, levado por essa doença tão perigosa. Agora, só nos resta rezar para que a alma dele encontre o Reino da Glória. Essa doença é muito cruel. Por isso, mesmo depois de já ter tomado a segunda dose, continuo em casa, me cuidando.”
Neguinho da Beija-Flor
“A gente sabe que ele já estava com uma idade avançada, mas a Covid não perdoa. Hoje está indo embora uma parte importante da história do samba, um dos últimos baluartes, que deixa um legado de beleza no samba e nas artes para os novos sambistas que estão chegando. Era um extraordinário compositor. Daqui a 200 anos vão ouvir as obras de Nelson Sargento. Hoje tenho só muita tristeza no coração.”
Elias Riche, presidente da Mangueira
“Com grande pesar, informamos que nosso presidente de honra, Nelson Sargento, nos deixou essa manhã. Sua partida deixará saudades em todos os amantes do samba e da cultura brasileira. A semente plantada por ele rendeu frutos que estarão eternizados junto à certeza de que ‘O samba agoniza, mas não morre’ jamais. Vai, amigo Nelson, com seu jeito fino e elegante, se juntar a Cartola, Nelson, Jamelão e outros bambas fazer uma roda de samba e olhar por nós”
A Estação Primeira de Mangueira agradece por tudo. Nossos sentimentos a todos os amigos e familiares.

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